Quando a fé não impede a escuridão
Se você é cristão… e já pensou em morrer…
eu não vou falar com você como quem aponta o dedo.
Eu vou falar como quem sabe que essa batalha é silenciosa.
Existe um tipo de cansaço que não aparece no rosto.
Um tipo de desespero que não se conta no púlpito.
Um tipo de pensamento que passa rápido — mas deixa rastro:
“E se eu simplesmente não estivesse mais aqui?”
Você ama a Deus.
Você crê na Bíblia.
Você conhece versículos sobre esperança.
E ainda assim… às vezes a escuridão vence o dia.
E o pior não é só a dor.
É a culpa por sentir a dor.
Dentro da igreja existe, muitas vezes, uma expectativa de força constante.
Como se fé anulasse química cerebral.
Como se oração impedisse depressão.
Como se cristão verdadeiro não pudesse adoecer na alma.
Então você cala.
Canta no culto e chora no banho.
Sorri no domingo e desaba na segunda.
E começa a acreditar que morrer seria descanso.
A questão que vai além da dor
Agora eu preciso ir mais fundo com você.
Nós, seres humanos, não temos estrutura mental para compreender eternidade.
Entendemos prazo.
Entendemos começo e fim.
Entendemos ciclos.
Mas eternidade… não acaba.
Não termina.
Não tem retorno.
Para o cristão, isso não é filosofia abstrata.
É fundamento teológico.
A vida aqui, por mais longa que pareça, é breve.
Setenta, oitenta, cem anos quando muito.
E já parece demais quando estamos sofrendo.
Mas eternidade não é cem anos multiplicado.
É ausência total de fim.
E é aí que a decisão se torna séria.
Quando alguém considera tirar a própria vida, não está lidando apenas com dor emocional.
Está tocando algo que ultrapassa o tempo.
O que sabemos — e o que não sabemos
Eu não sei — e não ouso afirmar — como Deus julga cada alma.
Só Ele conhece a extensão exata da dor.
Só Ele sabe o quanto a mente estava clara ou quebrada.
Só Ele vê o que ninguém viu.
Mas exatamente por isso…
não trate com leveza algo que sua própria fé chama de eterno.
Existe hoje uma tendência perigosa de simplificar tudo:
“Deus é amor, então está tudo bem.”
Mas amor não anula justiça.
E misericórdia não é convite para testar limites.
A dor pode ser intensa.
Mas ela é finita.
A eternidade, se real, não é.
Decisões permanentes não devem ser tomadas em momentos temporários de escuridão.
Se o temor é o que te mantém vivo…
Talvez você pense:
“Eu estou cansado demais.”
“Eu já orei demais.”
“Eu já tentei demais.”
Então eu preciso te dizer algo com responsabilidade:
Se hoje a única coisa que impede você de atravessar essa linha é o temor…
então deixe que o temor seja freio.
Freio não é condenação.
Freio é proteção.
Você não precisa viver para sempre com medo.
Mas se o medo hoje é o que te mantém vivo, então ele está cumprindo uma função.
Depois da morte não existe revisão de escolha.
Não existe retorno para ajustar decisão.
Não existe segunda tentativa.
A fé cristã ensina que ao homem está destinado morrer uma vez, vindo depois disso o juízo.
Isso não é para te esmagar.
É para te lembrar que a vida não é descartável.
Proteja a parte de você que ainda quer ficar
Se você está lendo isso, existe uma parte sua que ainda quer permanecer.
Talvez pequena.
Talvez fraca.
Mas ainda existe.
É essa parte que você precisa proteger hoje.
Não entregue algo eterno num dia em que sua mente está cansada demais para enxergar luz.
Espere.
Espere a tempestade passar.
Espere o corpo descansar.
Espere a mente reorganizar.
A dor grita que é para sempre.
Mas ela não é.
Agora, algo prático
Se você está lutando com esses pensamentos, não enfrente isso sozinho.
Busque ajuda profissional.
Procure um psicólogo.
Procure um psiquiatra.
Se não tiver recursos, busque serviços públicos ou gratuitos.
No Brasil:
📞 188 — CVV (24 horas, gratuito)
Nos Estados Unidos:
📞 988 — Suicide & Crisis Lifeline
Se houver um pastor ou líder maduro e confiável, converse.
Se o primeiro não acolher, procure outro.
Não aceite silêncio como resposta.
Ore.
Mesmo sem sentir.
Mesmo confuso.
Mesmo cansado.
Faça as duas coisas:
busque ajuda e ore.
Se já está em tratamento, continue.
Continue nas consultas.
Continue na medicação se foi prescrita.
Continue firme.
A dor pode demorar a passar.
Mas ela passa.
E algo eterno não deve ser decidido numa noite escura.
Fique.
Pelo menos hoje.
Franciele Vargas
Autora de Deus Também Vê as Borboletas
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