Nenhuma dor pode virar autorização para destruir inocentes

sábado, 14 de fevereiro de 2026




Nenhuma notícia deve ser decidida na mesma noite.

Nenhuma dor deve ser resolvida no auge da emoção.

Nenhuma humilhação define uma vida inteira.

Nenhum impulso merece virar sentença definitiva.


Nos últimos dias, o Brasil foi atravessado por uma tragédia que ainda pesa no peito.

Duas crianças perderam a vida porque um adulto, devastado por uma notícia, escolheu agir no auge da dor.


E é preciso dizer com clareza:

não há justificativa.

Não há relativização possível.


Crianças não são responsáveis por conflitos de adultos.

Filhos não são extensão do orgulho ferido de um pai.

Inocentes não podem pagar pela ruptura de um casamento.


Mas existe uma reflexão que precisa ser feita — não para explicar o horror, mas para evitar que ele se repita.


Decisões tomadas no auge da dor raramente são decisões lúcidas.

Quando o orgulho é ferido, quando a sensação de rejeição parece insuportável, quando a humilhação arde como fogo, a mente pode distorcer a realidade.


O agora parece eterno.

A vergonha parece irreversível.

A dor parece permanente.


E, nesse ponto, o impulso se torna perigoso.


A mente ferida fala em absolutos.

Ela diz: “acabou.”

Ela diz: “não há saída.”

Ela diz: “isso nunca vai passar.”


Mas passa.


O que muitas vezes falta não é força.

É pausa.


É alguém ensinando que nenhuma notícia precisa ser resolvida na mesma noite.

Que nenhuma explosão emocional deve virar decisão definitiva.

Que atravessar a madrugada pode salvar uma vida — ou várias.


A maturidade emocional não é ausência de dor.

É capacidade de senti-la sem transformá-la em destruição.


Talvez o que nos falte como sociedade seja ensinar homens a lidar com frustração sem transformar ferida em violência.

Ensinar que perder não é desaparecer.

Que ser traído não é deixar de existir.

Que a dor não autoriza punir o mundo.


Porque quando o impulso passa, a irreversibilidade permanece.


E talvez a pergunta que fique seja:


Estamos preparando adultos para suportar a dor — ou estamos criando pessoas que reagem a ela como se fosse o fim?




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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

 O que entra pelos olhos também adoece a alma




Vivemos uma era de culto à aparência.

Corpos bem definidos, rotinas impecáveis, alimentos orgânicos, dietas restritivas, horas na academia.

O corpo virou projeto. A estética, prioridade.

Mas quase ninguém se ajoelha para perguntar, em silêncio:

como está a minha alma?

O cuidado costuma parar no que é visível.

Escolhemos com rigor o que entra pela boca,

mas deixamos passar sem filtro o que entra pelos olhos,

o que ecoa nos ouvidos,

o que se assenta no coração

e os pensamentos que aceitamos como verdade.

A alma também adoece por excesso.

Excesso de ruído.

Excesso de comparação.

Excesso de notícias que roubam a esperança.

Excesso de violência disfarçada de entretenimento.

Excesso de pornografia — não apenas do corpo,

mas da mente, da moral e do espírito.

Vamos absorvendo tudo.

As frustrações dos outros.

As palavras que ferem, mas são chamadas de “opinião”.

Ambientes tóxicos tratados como maturidade.

Conversas que não edificam.

Imagens que profanam o silêncio interior.

E então nos perguntamos por que estamos tão cansados.

Por que o coração anda pesado.

Por que a alegria se tornou rara.

Por que, mesmo fazendo “tudo certo”, algo dentro de nós definha.

A Escritura já nos advertia:

assim como o alimento contaminado adoece o corpo,

o que não é puro, verdadeiro e bom

adoece a alma.

Ninguém permanece intacto

àquilo que consome todos os dias.

Cuidar da alma exige vigilância.

Exige guarda.

Exige escolhas conscientes.

É vigiar os olhos.

É guardar os ouvidos.

É escolher com quem se caminha.

É não permitir que qualquer voz

tenha autoridade sobre quem somos.

Cuidar da alma é aprender a dizer, sem culpa:

“isso não me nutre.”

“isso não me edifica.”

“isso não vem de Deus.”

A alma precisa de descanso.

De silêncio.

De verdade.

De presença.

De relações que sustentam, não que drenam.

Afastar-se não é fraqueza.

É sabedoria.

Proteger-se não é egoísmo.

É maturidade espiritual.

Se investimos tanto esforço no corpo — que é pó —

por que negligenciamos aquilo que é eterno dentro de nós?

Talvez a pergunta mais urgente do nosso tempo não seja

o que você anda comendo,

mas sim:

do que você tem alimentado a sua alma — todos os dias?

Também escrevo em inglês para alcançar leitores de outros países.


Franciele Vargas, jornalista e autora do livro Deus Também Vê as Borboletas.



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Quando nem o remédio funciona: a esperança entra em exaustão

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Há um momento em que a dor deixa de pedir ajuda

e começa apenas a resistir.


É quando a pessoa já tomou remédio.

Já tentou.

Já esperou.

Já acreditou.


E mesmo assim…

continua pesada por dentro.


Há depressivos que não aceitam medicação

porque já se sentem quebrados demais

para colocar mais uma coisa no corpo.


Há outros que aceitam, tomam direitinho,

e um dia percebem algo assustador:

o remédio não faz mais efeito.


E isso dói de um jeito que quase ninguém entende.


Porque quando nem o tratamento parece funcionar,

a mente sussurra mentiras perigosas:


“Não tem mais jeito.”

“Sou eu o problema.”

“Se isso não resolveu, nada resolve.”


Mas deixa eu te dizer algo com verdade e cuidado:


Quando um remédio não faz mais efeito,

isso não significa que você acabou.

Significa que o corpo está pedindo

outro tipo de escuta.


Há dores que não são só químicas.

São acúmulos.

Silêncios.

Traumas guardados no corpo.

Anos sobrevivendo sem descanso.


Há pessoas que não estão resistentes ao remédio.

Estão exaustas de lutar sozinhas.


E ninguém te contou isso, mas é essencial saber:

A falha não é sua.

O tratamento não é uma sentença única.

Ajustar não é desistir —

é continuar tentando viver.


Talvez hoje você esteja naquele lugar perigoso

em que até a esperança cansa.

Em que tomar outro comprimido parece inútil.

Em que você não quer morrer,

mas também não sabe como continuar.


Se for esse o seu caso, escute com atenção:


Quando o remédio não alcança mais,

o cuidado precisa se ampliar.


Trocar.

Ajustar.

Pausar.

Conversar.

Não se fechar.


Isso não significa jogar tudo fora.

Significa não carregar tudo sozinho.


Há momentos em que o medicamento sustenta.

Há outros em que ele apenas abre espaço

para algo maior acontecer:


escuta,

vínculo,

presença,

fé silenciosa,

ajuda profissional verdadeira.


E há fases em que o maior ato de coragem

não é “aguentar firme”,

mas admitir:


“Eu não estou bem.

E preciso de mais cuidado

do que estou recebendo.”


Se você está lendo isso pensando

“mas comigo já não funciona”…

então este texto é para você.


Você não é um caso perdido.

Você não é fraco por estar cansado.

Você não falhou porque precisa

de outro caminho.


Às vezes, a esperança não vem como força.

Ela vem como continuação.

Como mais um dia.

Como pedir ajuda de novo,

mesmo sem vontade.


E isso…

isso ainda é vida tentando permanecer.


Você sente que chegou nesse lugar em que nada parece funcionar —

ou conhece alguém que está aí agora?


Franciele Vargas

Escritora | Autora de Deus Também Vê as Borboletas




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