Nenhuma notícia deve ser decidida na mesma noite.
Nenhuma dor deve ser resolvida no auge da emoção.
Nenhuma humilhação define uma vida inteira.
Nenhum impulso merece virar sentença definitiva.
Nos últimos dias, o Brasil foi atravessado por uma tragédia que ainda pesa no peito.
Duas crianças perderam a vida porque um adulto, devastado por uma notícia, escolheu agir no auge da dor.
E é preciso dizer com clareza:
não há justificativa.
Não há relativização possível.
Crianças não são responsáveis por conflitos de adultos.
Filhos não são extensão do orgulho ferido de um pai.
Inocentes não podem pagar pela ruptura de um casamento.
Mas existe uma reflexão que precisa ser feita — não para explicar o horror, mas para evitar que ele se repita.
Decisões tomadas no auge da dor raramente são decisões lúcidas.
Quando o orgulho é ferido, quando a sensação de rejeição parece insuportável, quando a humilhação arde como fogo, a mente pode distorcer a realidade.
O agora parece eterno.
A vergonha parece irreversível.
A dor parece permanente.
E, nesse ponto, o impulso se torna perigoso.
A mente ferida fala em absolutos.
Ela diz: “acabou.”
Ela diz: “não há saída.”
Ela diz: “isso nunca vai passar.”
Mas passa.
O que muitas vezes falta não é força.
É pausa.
É alguém ensinando que nenhuma notícia precisa ser resolvida na mesma noite.
Que nenhuma explosão emocional deve virar decisão definitiva.
Que atravessar a madrugada pode salvar uma vida — ou várias.
A maturidade emocional não é ausência de dor.
É capacidade de senti-la sem transformá-la em destruição.
Talvez o que nos falte como sociedade seja ensinar homens a lidar com frustração sem transformar ferida em violência.
Ensinar que perder não é desaparecer.
Que ser traído não é deixar de existir.
Que a dor não autoriza punir o mundo.
Porque quando o impulso passa, a irreversibilidade permanece.
E talvez a pergunta que fique seja:
Estamos preparando adultos para suportar a dor — ou estamos criando pessoas que reagem a ela como se fosse o fim?
#SaúdeMental
#RegulaçãoEmocional
#InteligênciaEmocional
#ViolênciaContraCrianças
#Prevenção
#Impulsividade
#MaturidadeEmocional
#ResponsabilidadeEmocional
#ViolênciaDoméstica
#Reflexão
#Família
#ProteçãoÀInfância



