O erro de tentar proteger os filhos de toda dor

sábado, 7 de março de 2026

 


A geração emocionalmente frágil e o desafio da resiliência



No Brasil, estudos mostram um aumento muito expressivo dos suicídios entre adolescentes nas últimas duas décadas.


Entre 2000 e 2022, um estudo nacional apontou um crescimento de aproximadamente 120% nas taxas corrigidas de suicídio entre jovens de 10 a 19 anos.


Esses números não são apenas estatísticas.


São histórias interrompidas.

São quartos que ficaram silenciosos.

São pais que continuam colocando a mesa para alguém que não voltará.


Diante dessa realidade, muitas campanhas têm sido feitas — e elas são necessárias — contra o bullying, contra a violência, contra a crueldade nas escolas e nas redes sociais.


Mas há um ponto que raramente recebe a mesma atenção:


precisamos fortalecer emocionalmente nossos filhos.


Porque o mundo sempre terá críticas.

Sempre haverá rejeição.

Sempre existirão perdas, frustrações e injustiças.


Não podemos construir um mundo totalmente protegido para nossos filhos.


Mas podemos ajudá-los a construir uma mente mais preparada para atravessá-lo.


Uma criança emocionalmente fortalecida aprende, pouco a pouco, que:


• crítica não é destruição

• rejeição não é prova de desvalor

• frustração não é o fim

• sofrimento não é identidade

• um capítulo difícil não encerra uma história


Isso tem um nome:


resiliência.


Resiliência não é insensibilidade.

Não é ausência de dor.


Resiliência é sentir a dor — e ainda assim continuar caminhando.


O psiquiatra Augusto Cury costuma dizer algo profundamente verdadeiro:


nunca tivemos uma geração tão informada — e emocionalmente tão frágil.


Muitos jovens cresceram em ambientes onde os pais tentaram poupá-los de toda dor.


Resolveram cada problema.

Evitaram cada frustração.

Protegeram de cada conflito.


Mas, sem perceber, ao tentar evitar o sofrimento, acabaram também evitando o treinamento emocional da vida real.


Filhos não precisam apenas de proteção.


Precisam de referências humanas.


Precisam saber que seus pais também sofreram.

Que também foram rejeitados.

Que também choraram em silêncio em algum momento da vida.


Quando um pai ou uma mãe diz ao filho:


“Eu também passei por momentos difíceis.

Eu também me senti perdido.

Mas eu atravessei.”


Algo poderoso acontece dentro da mente dessa criança.


Ela entende que a dor não é o fim da história.


Pais que escondem completamente suas lutas podem transmitir, sem querer, uma ideia perigosa:


a de que a vida deve ser perfeita.


Mas quando os filhos percebem que seus pais também enfrentaram perdas, frustrações e medos — e continuam vivos, caminhando, tentando — eles aprendem uma das lições mais importantes da existência:


é possível sobreviver à dor.


Educar emocionalmente um filho não significa evitar que ele sofra.


Significa ensinar que o sofrimento não precisa governar sua identidade.


Significa ajudá-lo a transformar experiências difíceis em capítulos de aprendizado, não em sentenças definitivas.


A vida inevitavelmente escreverá páginas difíceis.


Mas a tarefa da educação emocional é ensinar nossos filhos a fazer algo extraordinário:


transformar a dor em memória,

a memória em aprendizado,

e o aprendizado em força para continuar vivendo.


Porque a dor pode até visitar uma história.


Mas ela não precisa ser a autora dela.


© Franciele Vargas. Todos os direitos reservados.

Este conteúdo não pode ser reproduzido total ou parcialmente sem autorização prévia e expressa da autora.


Reflexões como esta também estão presentes no livro “Deus Também Vê as Borboletas”, de Franciele Vargas, que aborda a relação entre fé, sofrimento emocional e esperança.


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