quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

 O que entra pelos olhos também adoece a alma




Vivemos uma era de culto à aparência.

Corpos bem definidos, rotinas impecáveis, alimentos orgânicos, dietas restritivas, horas na academia.

O corpo virou projeto. A estética, prioridade.

Mas quase ninguém se ajoelha para perguntar, em silêncio:

como está a minha alma?

O cuidado costuma parar no que é visível.

Escolhemos com rigor o que entra pela boca,

mas deixamos passar sem filtro o que entra pelos olhos,

o que ecoa nos ouvidos,

o que se assenta no coração

e os pensamentos que aceitamos como verdade.

A alma também adoece por excesso.

Excesso de ruído.

Excesso de comparação.

Excesso de notícias que roubam a esperança.

Excesso de violência disfarçada de entretenimento.

Excesso de pornografia — não apenas do corpo,

mas da mente, da moral e do espírito.

Vamos absorvendo tudo.

As frustrações dos outros.

As palavras que ferem, mas são chamadas de “opinião”.

Ambientes tóxicos tratados como maturidade.

Conversas que não edificam.

Imagens que profanam o silêncio interior.

E então nos perguntamos por que estamos tão cansados.

Por que o coração anda pesado.

Por que a alegria se tornou rara.

Por que, mesmo fazendo “tudo certo”, algo dentro de nós definha.

A Escritura já nos advertia:

assim como o alimento contaminado adoece o corpo,

o que não é puro, verdadeiro e bom

adoece a alma.

Ninguém permanece intacto

àquilo que consome todos os dias.

Cuidar da alma exige vigilância.

Exige guarda.

Exige escolhas conscientes.

É vigiar os olhos.

É guardar os ouvidos.

É escolher com quem se caminha.

É não permitir que qualquer voz

tenha autoridade sobre quem somos.

Cuidar da alma é aprender a dizer, sem culpa:

“isso não me nutre.”

“isso não me edifica.”

“isso não vem de Deus.”

A alma precisa de descanso.

De silêncio.

De verdade.

De presença.

De relações que sustentam, não que drenam.

Afastar-se não é fraqueza.

É sabedoria.

Proteger-se não é egoísmo.

É maturidade espiritual.

Se investimos tanto esforço no corpo — que é pó —

por que negligenciamos aquilo que é eterno dentro de nós?

Talvez a pergunta mais urgente do nosso tempo não seja

o que você anda comendo,

mas sim:

do que você tem alimentado a sua alma — todos os dias?

Também escrevo em inglês para alcançar leitores de outros países.


Franciele Vargas, jornalista e autora do livro Deus Também Vê as Borboletas.



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